A lição digital

Patricia Stavis/Época

PLUGADOS
Alunos do 6º ano da Graded School, de São Paulo. Pesquisa em bancos de dados e vídeos para aprender sobre fotossíntese

Poucos segundos depois de bater o sinal que anunciava o início da aula de ciências, os alunos do 6º ano começaram a entrar na classe da professora Leika Procopiak, cada um carregando seu próprio laptop, trazido de casa. Ao se acomodar nas mesas, nenhum deles tirou da mochila um caderno ou um livro. Abriram seus computadores, conectaram-se à internet (sem fio e de alta velocidade) e estavam prontos para aprender a lição do dia: fotossíntese. “Cada dupla decide quais das atividades fará hoje”, disse ela, no início da aula.

Sem usar a lousa e movimentando-se pela sala, Leika passou os 80 minutos seguintes orientando pesquisas em bancos internacionais de dados on-line sobre fontes de energia. Ajudou a fazer simulações gráficas de como variações da luz e da temperatura podem afetar o resultado da fotossíntese. Corrigiu exercícios propostos a partir de vídeos a que os alunos assistiram em sites especializados na web. Depois, cada dupla de alunos produziu um relatório, compartilhado com os colegas e com a professora pelo serviço de arquivos on-line Google Docs. O sinal marcando o fim da aula bateu e nenhum caderno saíra das mochilas.

Essa aula aconteceu na Graded School, uma das melhores escolas de São Paulo. É o tipo de atividade com que sonham pais deslumbrados com a parafernália tecnológica que atualmente é alardeada por colégios particulares. Escolas que muitas vezes cobram mensalidades mais altas por isso. Há mais de 25 anos tenta-se comprovar a eficácia do uso da tecnologia no ensino. Mas depois de tanto tempo, e de tanto marketing, ainda resta a pergunta: usar tecnologia para ensinar faz os alunos aprender mais?

A resposta é sim. Dois estudos inéditos demonstram como a tecnologia ajudou a melhorar as notas de alunos da rede pública. A Fundação Carlos Chagas (FCC) acaba de concluir uma avaliação dos alunos de todas as escolas públicas do município de José de Freitas, no interior do Piauí, que desde o início de 2009 estudam com o apoio de lousas interativas, laptops individuais e softwares educativos. De acordo com o estudo, esses alunos melhoraram sua média de matemática em 8,3 pontos, enquanto os que não usaram a tecnologia avançaram apenas 0,2 ponto. O segundo estudo, da Unesco, braço das Nações Unidas para a educação, avaliou o desempenho de alunos de escolas públicas de Hortolândia, em São Paulo, que usaram salas de aula com lousa digital e um computador por aluno. O avanço foi de duas a sete vezes em relação aos colegas em salas de aula comuns.

http://epoca.globo.com/infograficos/683_tecno_educacao/683_tecno_educa_timeline.swf

O sucesso, porém, depende de como a tecnologia é usada. Não adianta trocar o caderno por notebook ou tablet sem ter estratégias e conteúdo para usá-los. Isso ficou claro em alguns fracassos no uso dos computadores. O Banco Mundial divulgou, no fim do ano passado, a avaliação de um programa do governo colombiano que distribuiu máquinas para 2 milhões de alunos. O impacto nas notas de espanhol e matemática foi próximo de zero. Em alguns casos, as notas até pioram depois da chegada dos aparelhos. Em 2007, uma pesquisa do Ministério da Educação do Brasil mostrou que alunos que estudaram, por três anos, em escolas com computador estavam pelo menos seis meses atrasados no aprendizado em relação aos outros. Em ambos os casos, os pesquisadores se limitaram a contar se havia computador na escola. Não avaliaram se as máquinas eram usadas para dar algum conteúdo, além dos cursos de processadores de texto e planilhas.

É por isso que, nos países mais adiantados na implantação de tecnologia, a discussão hoje é como usar a tecnologia da melhor forma. Nos países ricos, a questão do acesso às máquinas foi superada. Cerca de 97% da rede pública americana tem um computador por aluno. Na Alemanha, mais de 30 mil escolas estão equipadas desde 2001. Mas, depois de tanto tempo usando computador na sala de aula, as estatísticas de aprendizado nacionais não melhoraram significativamente. A pergunta é como usar a tecnologia de um jeito diferente. A Inglaterra criou um departamento só para pesquisar e avaliar o uso inovador da tecnologia em sala de aula. Na Coreia do Sul, o governo percebeu que, sem um conteúdo curricular fortemente relacionado à tecnologia, ela teria pouco efeito. Começou a produzir novos materiais didáticos para os computadores. “Ainda tendemos a conceber o papel da tecnologia como algo a que basta o aluno ter acesso que as coisas vão melhorar”, afirma o americano Mark Weston, estrategista educacional da fábrica de computadores Dell. “Essa era a ideia há 30 anos, mas agora sabemos que também é preciso ter boas práticas de ensino.” (Leia a entrevista com Weston)A seguir, cinco práticas que ajudam a tecnologia a ensinar.


1. Saber para que usar a tecnologia
A tecnologia precisa ser usada com um propósito. A professora Leika, da Graded School, planejou a aula descrita no começo desta reportagem porque queria que os alunos aprendessem na prática a teoria que ela tinha ensinado, do jeito tradicional, na aula anterior. “Planejei em casa e pesquisei as melhores fontes para que isso acontecesse”, diz. Na sala de aula, quem domina a estratégia é o professor, mas também é decisão da escola, ou até de uma rede inteira, como usar determinada tecnologia.

Em segundo lugar, o conteúdo tecnológico deve ser complementar ao transmitido da forma tradicional. “Não adianta dar para o aluno ler no computador o mesmo texto que ele leria no livro didático ou na apostila. Isso não o fará aprender mais ou melhor”, afirma Marcos Telles, diretor da Dynamic Lab, uma empresa de tecnologia de educação.

Essa integração entre a tecnologia e o conteúdo das aulas é o maior desafio das escolas. As escolas municipais de Matinhos, no Paraná, tinham uma demanda específica: melhorar as notas de português e matemática de todos os 3 mil alunos da rede, com equidade. Foram atrás de um software educacional feito sob medida para isso. No computador, o aluno faz atividades interativas e evolui para as mais difíceis, de acordo com seu ritmo de aprendizado. “Alunos aprendem de jeitos diferentes e, no ensino tradicional, os que estão para trás acabam fadados ao fracasso por não receber acompanhamento adequado”, afirma Betina von Staa, pesquisadora da Positivo Informática, que faz os softwares educativos. Marcos Vinicyus de Oliveira, de 7 anos, poderia ter sido um deles. Em 2010, estava no 2º ano e ainda não conseguia ler nem cumprir tarefas mais simples, como copiar a lição da lousa. “Agora consigo juntar as letras no computador”, diz. Marcos aprendeu a ler e a escrever depois de começar a usar o programa.


Patricia Stavis/Época

PROJETO 
Alunos do 6º ano do COC Vila Yara, em Osasco, numa aula de robótica. Eles aprendem habilidades como trabalhar em grupo e dividir tarefas

2. Transformar o jeito de dar aula
Para usar qualquer tecnologia, da câmera digital ao computador, é preciso abandonar a geografia tradicional da sala de aula, aquela que coloca o professor na frente do quadro e os alunos enfileirados anotando tudo. Uma das tecnologias mais antigas em prática nas escolas brasileiras e que dá certo é a robótica. Ela reforça a ideia de ensinar de forma diferente: são aulas em que os alunos, sempre em grupo, precisam executar um projeto: programar e montar um robô. “Aprendi a trabalhar em equipe e a prestar atenção em pequenos detalhes”, diz César Henrique Braga. Ele acabara de terminar seu primeiro robô, um jipe lunar, com outros três colegas do 6º ano do colégio COC Vila Yara, em Osasco, São Paulo. “O aluno precisa aprender a usar o conhecimento para criar”, diz Paulo Blikstein, professor da Escola de Educação da Universidade Stanford.

Blikstein ensina professores da rede pública dos Estados Unidos a ensinar em ambientes com tecnologia. Para ele, a vocação da tecnologia é ajudar no ensino por projetos. Essa estratégia parte dos conteúdos do currículo tradicional, como escrita e matemática, para desafiar os alunos a executar tarefas criativas, como fazer um filme. E essas habilidades dificilmente são ensinadas nas aulas tradicionais.


3. Mudar a relação entre professor e aluno
Segundo Blikstein, um dos maiores desafios na hora de usar tecnologia é mudar a prática e a mentalidade dos professores. Isso aconteceu no início do projeto em Hortolândia, estudado pela Unesco. Ele foi elaborado e executado por especialistas em educação da fabricante de computadores Dell e da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo. O objetivo era melhorar o aprendizado de português e matemática de 5.500 alunos do 6º e 7º ano do ensino fundamental e 1º e 2º ano do ensino médio, de 23 escolas estaduais. As salas de aula ganharam um computador por aluno e lousa digital, com material didático digital desenvolvido por educadores da Universidade de São Paulo (USP).

Foi preciso um ajuste de cara. As aulas não estavam durando o tempo planejado. O material fora criado para aulas de 50 minutos. Mas elas acabavam em apenas 20. Isso porque os professores usavam a lousa digital como se fosse um quadro-negro tradicional. “Eles não davam espaço para os alunos interagirem com a lousa”, diz Ricardo Menezes, diretor da área de educação da Dell para o Brasil.

A prática do professor também está ligada a sua relação com o aluno e a seu domínio sobre a classe. A concentração dos alunos na aula é um dos fatores mais determinantes para que eles de fato aprendam. Várias pesquisas e estudos já foram feitos sobre isso, mas não existe uma fórmula mágica que garanta que garotos se interessem mais por cálculos de raiz quadrada do que por bater papo com um colega. Mas alguns especialistas dizem e pesquisas demonstram que, usada da maneira correta, a tecnologia pode sim ajudar a prender a atenção. “Como é uma linguagem que o aluno conhece, o professor se aproxima com mais facilidade”, diz Maria Elizabeth Almeida, professora do programa de pós-graduação em educação curricular da PUC de São Paulo.


4. Formar e treinar os professores
No Brasil e no mundo, a maioria dos professores ainda não consegue justificar o uso da tecnologia na classe. “Eles não têm a formação adequada para isso”, diz Weston, da Dell. Não por acaso, o projeto de Hortolândia foi executado pela Escola de Formação de Professores do Estado de São Paulo. “Não adianta colocar tecnologia na escola sem dar a formação adequada aos professores”, diz Vera Cabral, diretora da escola. O próximo passo é levar o projeto para toda a rede e treinar professores em grande escala.

Há duas maneiras de fazer a formação dos professores. A primeira é colocar os formadores, monitores especializados na tecnologia e no conteúdo, dentro das salas de aula, como fez um projeto conjunto do Estado do Piauí, do município de José de Freitas, e da Positivo. Francisca das Chagas Lopes da Silva dá aula no 4º ano de uma escola estadual da cidade. Formada em pedagogia, ela não sabia como fazer o planejamento diário de suas aulas, nem aprendeu na faculdade a avaliar seus alunos de outra forma a não ser as tradicionais provas bimestrais. Ao participar do projeto, Francisca passou a dar aulas acompanhada por monitores. O planejamento das atividades fazia parte do treinamento, assim como fazer o registro de tudo o que acontecia em classe para avaliar melhor o desenvolvimento dos alunos. “Aprendi a ensinar usando a tecnologia, mas também aprendi a planejar. Se eu for planejar uma aula qualquer, do jeito tradicional, farei isso melhor do que antes”, diz.

A segunda estratégia para formar os professores é mais comum nas escolas particulares. Ali, a formação acontece mais por iniciativa de cada professor do que em cursos oferecidos pelos gestores. No Beit Yaacov, colégio particular de São Paulo, a estratégia adotada foi deixar a cargo dos professores quando e qual tecnologia usar. Os profissionais são estimulados a pesquisar por conta própria novas tecnologias e as maneiras de usá-las, inclusive no ensino infantil. A partir da experiência de cada um, o que dá certo é adotado pelo resto da escola e o que deu errado é aperfeiçoado. “Sem o envolvimento de todos os professores, não há como criar e fortalecer uma cultura digital dentro da escola”, afirma Silvana Del Vecchio, coordenadora de tecnologia do colégio.

 

   Reprodução


5. Reformar a cultura da escola

   Divulgação

CULTURA
Alunos da escola pública americana Quest to Learn durante uma aula. Eles aprendem programando games

Nem a tecnologia mais avançada conseguiu ainda o feito de mudar a cultura escolar. Mas uma escola pública de Nova York resolveu tentar. A Quest to Learn foi criada pela designer de games Katie Salen, que escreveu vários livros sobre o uso de jogos na educação. Os alunos aprendem o conteúdo curricular criando e jogando videogames. Em funcionamento há um ano e meio, a escola foi moldada sob conceitos muito diferentes: os alunos não passam de ano, mas de fase – como nos jogos –, e não ganham notas, mas classificações de acordo com sua habilidade. “Acreditamos que aprender a programar e a lidar com mídias serão habilidades centrais para que os jovens se expressem e sejam competitivos ao entrar na universidade e no mercado de trabalho”, diz Katie.

A cultura do ensino pela tecnologia está na prática diária dos professores da Quest to Learn. “Eles são treinados para criar experiências nas quais os alunos possam aprender fazendo, tentar soluções e dividir o conhecimento”, diz Katie. Até agora, os alunos da escola não mostraram notas melhores nos testes tradicionais, que não medem as tais “habilidades do futuro”. Se derem certo, porém, experiências como essa podem e devem ser usadas como alternativas para melhorar o ensino para todos.

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI242285-15228,00-A+LICAO+DIGITAL.html

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Escolas primárias podem ter aulas de Twitter e Wikipedia no Reino Unido

Proposta de reforma curricular sugere que crianças tenham conhecimentos de mídia social, podcasts e digitação, revela The Guardian.

Conhecimentos de Twitter e Wikipedia podem começar a fazer parte do currículo em escolas primárias no Reino Unido, revela uma nova proposta de reforma curricular à qual o jornal britânico The Guardian teve acesso.

Além dos conhecimentos sobre o microblog e a enciclopédia aberta online, a proposta deve dar mais liberdade para que os educadores decidam em quais assuntos os jovens alunos devem se concentrar durante as aulas.

A proposta do novo currículo escolar elimina uma série de especificações sobre ciência, geografia e história, que devem ser acumuladas pelos estudantes antes dos 11 anos de idade. Por outro lado, a reforma enfatiza áreas como fonética, cronologia da história e aritmética, incluindo mídias atuais e funções baseadas em web, além de um foco maior em educação ambiental.

O projeto foi elaborado por Sir Jim Rose, ex-diretor daOfsted, entidade que inspeciona a qualidade do ensino em creches e escolas primárias no Reino Unido. Rose foi indicado por ministros britânicos para fazer uma revisão geral no currículo do ensino primário e a proposta deve ser publicada em abril.

De acordo com o rascunho do projeto, seis áreas de aprendizado são sugeridas para substituir as 13 atuais. O rascunho da proposta indica, por exemplo, que “as crianças devem deixar o ensino primário familiarizadas com blogs, podcasts, a Wikipedia e o Twitter como fontes de informação e meios de comunicação. Elas devem ganhar ‘fluência’ em escrita manual e digitação, aprender a usar um corretor ortográfico e a soletrar palavras.”

O vazamento do rascunho do projeto gerou represálias por parte de sindicatos de professores, que alegam não terem sido consultados para a elaboração da proposta, bem como de especialistas que tiveram um prazo de três dias para apresentarem um parecer sobre o projeto.

Fonte: http://idgnow.uol.com.br/internet/2009/03/25/escolas-primarias-podem-ter-aulas-de-twitter-e-wikipedia-no-reino-unido/

Tablets nas aulas de Matemática

Jeannetta Mitchell, a professora de matemática da Pesidio Middle School contou um pouco sobre um projeto piloto de uso de tablets pelos alunos nas aulas de Algebra. Confira matéria do site Mind/Shift.

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For more detail about my visit to the Presidio Middle School’s iPad algebra class, here’s the complete Q&A with eighth-grade teacher Jeannetta Mitchell. She talks about the practicalities of forgoing the traditional textbook and seeing students find different ways of learning the material.

Far from being afraid of the technology — or believing that it will be the beacon of hope — this veteran teacher is a pragmatist. She’s determined to find the best way to grab her students’ interest and get them to enjoy learning.

Q. Do you think the iPad is actually changing the way students learn?

A. I definitely believe it’s changing the way they learn. The iPad is more than just a textbook. It has example videos to watch, so if I’m teaching in class and explaining something, they take notes. They think they understand, they go home, they might forget to do something or they’re not sure. They watch the video at home and it’s a teacher explaining the very same concept. So it’s like taking the teacher home with them.

Given the fact that it’s on an iPad, they’re more apt to use it. Because the other students using print textbooks who have the same access to the videos online but who are not using iPads, they have to go to the computer and the Internet. And a kid doing homework at home, they’re not going to go to the computer, find the site, put in their user name and password. They’re not going to bother, because they think, “She’ll just explain it to me tomorrow.” But the kid with the iPad — it’s right there. All they have to do is hit a couple of buttons and watch the video. They’re more apt to use it.

Q. Where do they work out the problems?

A. On some of the pages on the iPad, there is a sketchpad … But I don’t think it can replace the pen and pencil; they’re still necessary for math. I want to see their work, because if the answer is incorrect, I need to see where they made the mistake.

Q. Do you allow them to use the calculator?

A. I don’t because these are numbers they should be comfortable with. If they use a calculator, they don’t get a sense of what makes sense and what doesn’t. I only let them use the calculator to check the work, not to do the work.

Q. How have their test scores measured up?

A. Initially, the test scores did not represent what everybody had hoped they would represent. The students performed actually at a lower level than my other three classes using print textbooks. And I had a conversation with the class explaining to them that the ipad was not the panacea of all ills. It wasn’t the magic wand that was going to do everything for them, that they still had to think. You have to be engaged. It’s not giving you the answers, it’s helping you get the answers.

But since I showed them the videos and they saw how helpful the videos were, they started using them. And I’ve noticed that the grades have gotten a lot better since I told them to use what’s available. You cannot convince any school, any district, to use this device if you’re not utilizing all the capabilities it has for you.

Q. Have the grades improved?

A. Yes. There’s not that big a discrepancy at all [between the classes that use the textbook and the iPad]. You would not be able to separate them between the classes. But I’m interested in seeing by the end of the year if it actually surpasses the others.

One of the things about the iPad, though, it’s a great tool, but it’s like anything, if you don’t use the tool you’re not going to get anything accomplished.

Q. Do you see the iPad helping with students who are having a hard time?

A. It helps the kid who wants to do well, but in middle school, it’s not going to magically make it happen for them. It’s not the magic wand. But if nothing else, it helps not carrying around a 10-pound book. But overall, the majority of the kids are using it for what it’s for. They’re taking advantage of what it can do.

One thing I do, I can provide multiple choice questions and their iPads will synch to my iPad and I’ll have [the answers] and they’ll have a timer. They do the work, and on my iPad, I can see how many kids are choosing which answers. The benefit for me is that if there are a number of people who are choosing one answer and it’s incorrect, it’s a quick cue for me to go back and see where’s the disconnect, what’s the problem. And it’s so immediate.

It’s different than saying, “How many of you don’t understand this,” or “How many of you got the wrong answer.” Kids aren’t going to hold up their hands to vote, but on their iPad, they know they’re somewhat anonymous. It just helps me.

Q. Your students told me the iPads make math more fun.

A. It is fun! And we made it to where they can personalize it, and they’re allowed to get their music on it and things like that. But they also know that I have the capability of finding out every site that they’ve ever gone to, and not one child has gone on a site that they’re not supposed to.

But what’s great is that [principal] Pam Clisham has been really instrumental in getting the message to all the parents. They had to sign off on it. If anything happens they have to replace it, they have to buy insurance for it, and they have to know what sites [students] can’t use.

But the parents knew this was something big, and they wanted their child to participate. You have to get parents bought into it.

Q. At this point, do you think the iPad or the e-reader is just another passing fad, or will it really change what’s happening in schools?

A. I don’t think it’s a passing fad at all. When I look at students when they’re handed these big books, and a child looks at that fat book, they won’t say it verbally, they say it to themselves subconsciously, “I can’t learn that.” And I can see it on their faces.

With an iPad, they can look at it, they believe they’re going to learn what they have to from it because they don’t see the whole book. They see bits of information as it’s presented.

So I don’t get anyone who thinks, “I don’t get the first two chapters, I don’t get it, so I’m done.”

It’s a positive thing for them. Plus they don’t have a fear of anything electronic — they’re still showing me things — but they do have fear of a fat textbook.

Q. What are some things you might change about this particular app for algebra?

A. We’re in contact weekly with Apple and the publishing company. They’re not saying, Here’s the perfect tool. Just take the test and we’ll take the results. They’re always asking what else can it do? That’s what I appreciate about it.

One thing that’s problematic is that the teacher’s edition is not on my iPad. Mine looks just like the students’, so I still have to use the big textbook. So hopefully they’ll have a teacher’s app.

And there needs to be a place for the kids to do the work. They’re working on how to reconfigure the sketchpad so it’s easier to use.

The supplementary pages are in the back of the book and are hard to find.

But what’s nice is they can make a note, either oral or type it in, to find something.

They also can record what I’m saying in class, and that happens more often than I thought. So when I’m talking, the kids can have record button on. It’s very clear what’s being said. They literally can take the teacher home with them. I have to make sure I know what I’m telling them.

And when they’re listening to something, or they want to make an oral note, they speak into the speaker it.

And they can add math apps. They can personalize it.

Q. As a teacher who’s now using the iPad in class, what do you say to those who fear it will replace them?

A. Anyone who thinks that the iPad or online textbook is going to replace them, they don’t have to worry about that. It’s just like giving a book to a student who reads well and telling them to teach themselves. That doesn’t happen.

Only the classroom teacher can see the disconnect, the child that has the question but isn’t asking. You have to be involved. I as a teacher cannot sit down while I’m teaching. That’s impossible. You have to move around and keep students engaged. There’s no doubt in my mind that if I left the room they would not be testing as well as they are. They need a teacher. So I don’t think that’s a problem.

Q. So how do you use the video tutorials?

A. Because how I teach might be different than what’s in the video, and the reality is that there’s more than one way to solve something. It doesn’t necessarily mimic me.

Q. Is the iPad helping students who are having a hard time?

A. I have students who are participating in this class who did not participate in their previous math classes. So it does engage them. Is it going to make them all brainiacs and straight A students? No, it’s not going to do that, but it will keep them engaged.

They’re interested. But at the same time I walk around making sure they’re doing what I want them to do, instead of some other applications. But that’s what a teacher does even when they have a textbook. Just like if they’re holding a cartoon book in front of their textbook.

I don’t believe the students think, “Well I won’t pay attention in class because I can watch it at home.” That’s not the case. They really use it as a supplement, not as a replacement of the teacher.

Q. Do you think the iPad is motivating students to try harder?

A. Some of them are definitely trying more. “I had to watch it three times before I really got it, Ms. Mitchell.” And I say: “But how did you feel when you got it?” They say: “I understand it.”

I’ve never had a student say: “I’ve read this three times in the book, and I don’t get it, I’ll ask Ms. Mitchell tomorrow.” But they will watch that video.

But they don’t have to watch the video. They can see the problem and the iPad shows them the first step in solving it. So they go, ‘Oh, I can get it.’ Because many times you just need a boost, a reminder. And they pull down and see the next step, so it just introduces it a little at a time, it doesn’t just give the answer.

That’s one of the best things about the iPad as opposed to the book. It shows how to solve. The textbook just has answers in the back, no explanation as to how to get there. The iPad shows step by step how to get to it, so that’s the real plus.

Q. But is it solving the problem for them? Are they learning in that case?

A. They don’t really look at it as it’s solving the problem for them. They really want to understand. Kids really do want to learn, and this just makes it more fun for them to learn. Nobody’s just sitting there writing down the answer, saying, “I don’t know how I got there. They know how they got there.”

I don’t see anyone thinking that they got one over on the teacher because they got the answers off the machine.

Q. How have students been treating these expensive gadgets?

A. A week ago, none were lost or damaged. Now we have just one that’s missing. It was left somewhere that other people knew how to get to it. But the people who took it don’t realize we have a GPS on it. And the parents had bought insurance, but the replacement hasn’t come yet.

But mostly they’ve been really responsible. They give me iPads, I lock it up until class time, then I lock it until the end of the day when they come back for it.

 Lenny Gonzalez

Q. What do you think is going to happen to textbooks in the future?

A. Ten years from now I don’t think they’re going to be carrying around these fat textbooks.

I can’t imagine that there won’t be a time that all the textbooks won’t be on the tablet. Students will be able to take it with them. If Houghton Mifflin Harcourt can put an algebra book on a tablet, what’s to stop them from putting a science book on the tablet? In fact, it might create even more consistency about which texts are more used in the district.

Q. What about cost?

Principal Pam Clisham, who was also in the room during the interview added her thoughts on the matter.

Pam Clisham: They’re expensive, but so are textbooks. If you had one iPad and all of your textbooks were on your iPad, it would be the same cost. Right now textbooks are running $50 or $60 dollars a piece, plus supplementary materials.

Jeannetta Mitchell: A student just needs one iPad for all of middle school. For a three-year period, it would pay for itself, and then some.

Fonte: http://mindshift.kqed.org/2011/01/teaching-with-a-tablet-one-educators-experience/